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Pirâmide do Consumo Sustentável

02 março 2015   //   Por SEQTRA   //   Notícias  //  Sem Comentários

Ato de Consumir

Diversos são os impulsos que nos levam para o consumo. Desde o mais trivial para satisfazer nossas necessidades alimentares e de higiene, até os mais inconsequentes para satisfação do nosso ego que com frequência coloca em risco nosso orçamento e a nossa capacidade de poupança.

Em todos os casos estamos exigindo sempre mais do planeta, não só naquilo que a natureza nos prove mas também na sua capacidade de lidar com os resíduos desse consumo, muitas vezes descartado sem nenhum critério e controle. Ainda acreditamos no mito da grandiosidade da natureza que absorverá todos os nossos resíduos e efluentes, encarregando-se de degradá-los.

O mundo vem ganhando escala em tudo. O consumo cresceu numa razão bem superior ao aumento da população. O padrão de conforto e comodidade tem-se elevado constantemente. Aparentemente tudo isso é muito bom e deveria ou poderia ampliar-se sempre, mas sem pensar em limites caminhamos para um colapso socioambiental.

O que está em jogo é a capacidade do planeta continuar a atender esse padrão civilizatório. Não mais do que 30% da população mundial tem acesso as maravilhas do mundo moderno. E é exatamente essa parcela que exige cada vez mais dos bens e serviços que a natureza oferece. Não se da conta de que já está pagando a conta, e de maneira indireta pagam também aqueles que estão fora desse processo, e todos os seres vivos sem distinção. Basta ver a crise de abastecimento de água e da oferta de energia, a poluição do ar e das águas, a contaminação dos solos e dos alimentos, e as mudanças climáticas.

Se queremos uma sociedade sustentável e por extensão uma planeta sustentável devemos rever nossos hábitos de consumo e nosso estilo de vida, para ontem. Não existe consumo sem fim e sem consequências num mundo de possibilidades materiais finitas. Temos que encarar a nossa realidade.

A Carta da Terra, documento da ONU publicado em 2000, diz no princípio II – Integridade Ecológica – que devemos reverter os atuais padrões de produção e consumo. Do lado da produção, utilizar menos materiais e energia, e que esses materiais sejam mais amigáveis com a natureza. Do outro lado Reduzir o consumo e o desperdício, Reutilizar e Reciclar, e só em último caso descartar, dispor em aterros sanitários.

 

Cidade de São Paulo e a Pirâmide do Consumo

A cidade de São Paulo acolhe 12 milhões de habitantes. Cada morador da cidade gera em média 1,5 kg de lixo (domiciliar) por dia, a maior parte segue para os aterros sanitários. Individualmente são 500 kg por ano, mais de 5 toneladas a cada dez anos. O lixo normalmente é constituído de matéria orgânica (sobras de alimentos em natura e cozidos) e embalagens. A densidade aparente do lixo é de 250 kg por metro cúbico. Por dia são gerados 18 mil toneladas de lixo.

Imaginemos a figura geométrica de uma pirâmide. Para definir as suas dimensões vamos tomar como referência dois ícones da cidade de São Paulo, o edifício Itália e a Praça da República, ambos no centro da cidade. Essa pirâmide teria a altura de 160 m, a mesma do Edifício Itália. Uma base retangular com uma área equivalente a Praça da República (50.000 m2). Essa pirâmide teria aproximadamente a dimensão original da maior pirâmide existente no Egito (Quéops).

Caso fosse possível construir um depósito monumental com estas dimensões para armazenar todo lixo gerado em São Paulo em apenas 40 dias (aprox. 700 mil toneladas) já estaria cheio. Durante um ano seriam necessárias 9 depósitos como este, onde seriam armazenados algo em torno de 6 milhões de toneladas de lixo.

Esses números são resultado do elevado padrão de consumo, agravado pelo baixo índice de aproveitamento para reciclagem de papelão, papel, plástico, vidro e metais – as latinhas de alumínio são uma exceção. E quase nada – dos resíduos orgânicos e sobras da cozinha – segue para a compostagem (composto orgânico).

 

Consumo Sustentável

A figura estabelece uma evolução hipotética do ato de consumo e seus desdobramentos. A pirâmide 1 é um retrato da situação atual – consumo exagerado, pouca atenção para o desperdício, pouca reutilização e falta de estrutura para a reciclagem, principalmente por parte da prefeitura e do setor privado. Partindo desse diagnóstico vamos pensar numa terapia para chegarmos a pirâmide 4. Para atingir esse objetivo torna-se premente reavaliarmos nossas necessidades diárias, diante do dilema – necessário x supérfluo.

Idealmente a pirâmide 4 reflete o comportamento de uma sociedade que conseguiu reduzir em muito o seu padrão de consumo, aprendeu a ser responsável e ter consciência diante dos seus atos. O design industrial evoluiu e não apresenta mais as armadilhas da obsolescência programada e/ou percebida (gatilhos do consumo) – a reutilização é uma realidade.

Nessa situação a reciclagem foi encarada de frente, tanto o gestor público quanto o setor privado estabeleceram parcerias para o aproveitamento dos resíduos – em boa parte nobres – promovem a redução da pressão sobre novas matérias prima, energia, água etc. Os catadores foram reconhecidos por todos, são capacitados e trabalham com dignidade. Os aterros sanitários ganham folego – sua vida útil aumentou e não precisam estar cada vez mais distantes dos centros geradores de resíduos.

Para concluir, mudar nossos hábitos de consumo não nos diminuí como pessoa nem como cidadão, muito pelo contrário, nos liberta dos modismos e dos atos compulsivos. Hoje temos plena consciência das nossas ações, pois não nos falta conhecimento e informação, e temos toda a tecnologia necessária ao nosso dispor. Podemos e devemos enfrentar com responsabilidade esse momento extremamente crítico, recuperar a nossa capacidade colaborativa e o nosso respeito pela natureza, e o mais importante, nos percebermos parte dela.

 

Link: https://ecosfera21.wordpress.com/2015/02/28/piramide-do-consumo-sutentavel

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