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CONSUMO DE ÁGUA: DE AMORAL PARA IMORAL

03 fevereiro 2015   //   Por SEQTRA   //   Notícias  //  Sem Comentários

A população da cidade de São Paulo está vivenciando a maior crise hídrica de sua história. O abastecimento está comprometido e o colapso é iminente.

Nunca se falou e se aprendeu tanto sobre este tema, no meio social e nos meios de comunicação. Diversas instituições de defesa dos interesses coletivos estão agindo no sentido de esclarecer e defender o direito das pessoas à água de qualidade, e que atenda minimamente suas necessidades.

Antes de prosseguir, importante caracterizar o que seja moral. Pode ser entendida como o comportamento orientado por valores e normas aceitos pela sociedade ou grupos sociais.

A água até pouco tempo era percebida como um bem natural infinito. O seu uso indiscriminado era aceito como uma prática normal, por boa parte da sociedade, principalmente pela crença no mito da abundância. Tratava-se de uma atitude amoral, ou seja, sem apelo moral, mas ético com certeza. Diante da crise de abastecimento, esse bem comum começa a se tornar muito raro e isso afeta a vida de todos.

O uso sem parcimônia passa a ser considerado uma atitude imoral (não aceita do ponto de vista moral).

Interessante observar que a população está se mobilizando espontânea mente para encontrar meios de reduzir o seu consumo de água e também captar e armazenar a água da chuva como garantia adicional diante da redução da pressão do sistema que prejudica principalmente alguns bairros de topografia mais elevada. Também para um provável período de racionamento.

Infelizmente para alguns os velhos hábitos estão voltando. Condomínios que possuem poços artesianos justificam a lavagem das calçadas com o uso de esguichos ao invés de balde e vassoura. Colocam avisos nas grades e portões para não serem incomodados.

Parece que a lição imposta pela crise não foi aprendida. A água subterrânea também é limitada, ou seja, vamos esperar uma crise nesse sistema para então reagirmos novamente. Não parece nem um pouco prudente. Aliás prudência e experiência são coisas que não valorizamos com se deveria.

Outra questão que vem ganhando força e pode se ajustar à frase em negrito acima é o uso indiscriminado do carro. O carro é uma invenção humana, bem diferente da água um bem da natureza, também pode ser avaliado do ponto de vista moral.

O seu uso de forma indiscriminada prejudica o bem comum além do próprio usuário. Nas grandes cidades como São Paulo os congestionamentos são uma rotina para milhares de pessoas. De um lado as pessoas (individualmente) não querem abrir mão desse conforto, do outro lado a falta de oferta de um transporte público seguro, eficiente e confortável não é atrativo. Uma dicotomia que parece não ter fim.

O carro além de contribuir substancialmente para os congestionamentos, torna a vida do seu usuário muito mais sedentária. Sem falar da poluição (baixa qualidade do ar que adentra nossos pulmões), os acidentes provocados pelos carros são muito frequentes.

O uso indiscriminado do carro poderá ser, em pouco tempo, considerado um hábito imoral. Porém não menos imoral é o gestor público que não consegue se organizar para enfrentar as duas crises, a da água e da mobilidade, com transparência, ética e competência. Principalmente envolver a sociedade, pela qual foi eleito e pela qual deve governar.

Para finalizar, as crises servem de base para um avanço moral da sociedade e da gestão pública. Porém as crises não encaradas e não enfrentadas a tempo podem se tornar crônicas. Isso não é bom nem para a sociedade, e nem para o gestor público. Prudência e experiência devem ser mais valorizadas.

 

Fonte: https://ecosfera21.wordpress.com/2015/02/02/consumo-de-agua-de-amoral-para-imoral/

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