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No caminho do futuro

11 setembro 2014   //   Por SEQTRA   //   Notícias  //  Sem Comentários

Esqueça por um momento a precariedade das estradas brasileiras da atualidade e faça um exercício de futurologia. Pense em como poderiam ser as rodovias daqui alguns anos. Há um infinito de possibilidades palpáveis sendo desenvolvidas e até mesmo testadas por pesquisadores em várias partes do mundo para que nossos caminhos sejam muito mais suaves, seguros e sustentáveis. O que pouca gente sabe é que esse futuro pode estar bem mais próximo da nossa realidade do que se imagina.

Tais possibilidades incluem painéis solares no lugar do asfalto para gerar energia elétrica limpa, sinalização de solo feita com tintas especiais que emitem luz durante a noite aposentando de vez os velhos postes de iluminação e até mesmo placas de sinalização sensíveis às condições climáticas para alertar os motoristas sobre as condições do tempo. Até mesmo estradas conectadas à internet para controlar o tráfego e oferecer mais segurança aos usuários. Na Europa e Estados Unidos estão sendo chamadas de smart highways, ou rodovias inteligentes. Para muito breve elas estarão saindo do papel para fazer parte do cotidiano.

Um dos projetos de smart highways tornou-se realidade em abril deste ano, na Holanda. Por lá o criativo designer Daan Roosegaarde estabeleceu parceria com Hans Goris, diretor do escritório de engenharia Heijmans Infrastructure, para inaugurar um trecho da primeira estrada que brilha no escuro. O protótipo de smart highways está sendo testado em uma extensão de 500 metros da rodovia N-329 em Oss, cerca de 100 km a sudeste de Amsterdam. Esse ainda pequeno percurso recebeu uma pintura especial que brilha no escuro, dispensando o uso da iluminação pública tradicional com postes de luz.

Para conseguir essa inovação, Roosegaarde e a Heijmans Infrastructure utilizaram tinta especial contendo um pó que – carregado durante o dia pela própria luz solar – libera aos poucos um brilho verde intenso durante oito horas no período noturno. “O governo está apagando a iluminação pública à noite para economizar dinheiro, a energia está se tornando muito mais importante do que poderíamos ter imaginado 50 anos atrás”, afirmou o designer holandês à agência de notícias britânica BBC.

Roosegaarde ainda quer fazer mais pelas estradas do futuro com o projeto que ele batizou de “Rota 66 do Futuro”. O nome é uma homenagem à lendária rodovia norte-americana, cenário de inúmeros filmes famosos. Aberta em 1926, ligava Chicago a Santa Mônica, na Califórnia, em mais de 4 mil km, mas foi fechada oficialmente na década de 1980. “Sempre me impressionou o fato de gastarmos bilhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para os carros, mas as estradas ficaram completamente imunes a esse processo”, disse.

Agora, Roosegaarde está se debruçando sobre ainda mais de uma dezena de novidades para as rodovias, a ser divulgadas nos próximos anos. Ele comentou uma delas: criar símbolos gigantes no asfalto em forma de flocos de neve com uma tinta sensível à temperatura. Assim, quando os termômetros caírem drasticamente as figuras apareceriam na pista avisando aos motoristas de que há neve se formando. Essa ideia também está em fase de testes.

Outro projeto bastante viável do designer é uma pista exclusiva para os carros elétricos, cada vez mais disponíveis no mercado, inclusive no Brasil. essa faixa exclusiva nas rodovias teriam dispositivos de transmissão de energia sem fio. Assim, os elétricos seriam recarregados durante a viagem. Essa tecnologia já existe em alguns países para recarregar baterias de celulares.

Ideia semelhante à do designer holandês, mas ainda mais ambiciosa, vem do estado de Idaho, nos Estados Unidos. Lá, a empresa Solar Roadways* está desenvolvendo um projeto-piloto para substituir o asfalto das estradas por painéis de células solares ultrarresistentes, capazes de suportar o trânsito pesado de automóveis, ônibus e caminhões. Com esse revestimento, as rodovias ganharão inúmeras vantagens. A principal é captar energia solar. Com isso, será possível substituir as faixas de sinalização de solo por pequeninas lâmpadas de LED, colocar resistências ao longo do caminho para derreter a neve que venha a se formar e recarregar veículos elétricos.

Não é só. A Solar Rodways pretende gerar eletricidade limpa a fim de abastecer bairros inteiros nas proximidades das rodovias. Os proprietários da Solar Roadways – o casal Julie e Scott Brusaw – há oito anos tentam viabilizar financeiramente seu projeto e já receberam verbas do governo federal para colocá-lo em prática.

No Reino Unido, uma iniciativa inovadora vai tornar a rodovia A-14 interligando as cidades de Felixstowe e Cambridge a primeira a conectada inteiramente à internet, ainda este ano. Sensores foram colocados ao longo dos 70 km da estrada com o intuito de transmitir dados sobre o movimento de tráfego. Essas informações podem, então, ser enviadas diretamente para os celulares dos motoristas. Num futuro próximo, essa tecnologia será utilizada também em veículos automatizados que não precisam de motorista (Leia Motorista pra quê?), controlando remotamente a velocidade. Tomara que o futuro chegue com toda a velocidade às estradas brasileiras.

 

Fonte: Guia Estradas – Quatro Rodas (07/2014)

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